Uma reflexão sobre a síndrome de Burnout, reconhecida como doença ocupacional

O mundo do trabalho é extremamente dinâmico, e todos os dias uma nova condição é criada ou alterada, de forma compulsória ou espontânea. Para não fugir à regra, desde o início deste ano, os trabalhadores têm direito ao afastamento por licença médica, estabilidade e, em casos mais graves, à aposentadoria por invalidez, desencadeada pelo estresse crônico no trabalho. 

Também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, a síndrome de Burnout passou a ser considerada doença ocupacional em 1º de janeiro deste ano, após a sua inclusão na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. 

A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Na prática, significa que agora estão previstos os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários assegurados no caso das demais doenças relacionadas ao emprego e relações de trabalho.

Os principais sintomas do Burnout são; 

• Dor de cabeça frequente;

• Alterações no apetite;

• Insônia;

• Dificuldades de concentração;

• Sentimentos de fracasso e insegurança; e

• Negatividade constante.

A síndrome de Burnout costuma ter três principais características: exaustão, menor identificação com o trabalho e sensação da redução da capacidade profissional, esta última levando o profissional a crises de ansiedade, baixa autoestima e depressão. Também pode causar cansaço excessivo, físico e mental, fadiga e dores musculares, pressão alta e alteração nos batimentos cardíacos.

Uma importante informação sobre o Burnout é relacionada ao seu tempo de duração, pois a doença é caracterizada por sintomas de exaustão mental, física e emocional por pelo menos uma quinzena, por uma situação específica que dura mais de seis meses, ou anos em alguns casos.

Bombeiros, policiais, professores, bancários, médicos e enfermeiros, profissões que exigem mais dos trabalhadores, estão entre os mais afetados pela síndrome de Burnout. Ela, porém, não afeta apenas os profissionais que por ela diretamente estão impactados, mas toda a comunidade de recursos humanos, psicólogos, terapeutas, empresas e famílias.

O Burnout é um novo momento, um novo ciclo gerado dentro do ambiente corporativo, este mesmo ambiente que, bem sabemos, não tem coração, não possui sentimento ou emoção, carrega apenas seu CNPJ. Cabe aos profissionais da área de RH, juntamente com os da saúde, buscar o tratamento correto e a cura, e, especialmente e prioritariamente, a prevenção, para que um menor número possível de profissionais seja atingido.

Roberto Martins

Roberto Martins

Especialista em relações do trabalho, empresário da área educacional e professor universitário, tem formação superior em Gestão de RH. Possui certificado na identificação e prevenção do dano e do assédio moral no ambiente de trabalho. Também se dedica a ministrar cursos, palestras e treinamentos de teor técnico, corporativo e motivacional.